Balada de Despedida do 5º ano jurídico
Letra/Música: António Vicente // João Paulo Sousa / Rui Pedro Lucas
Sentes que um tempo acabou
Primavera de flor adormecida,
Qualquer coisa que não volta que voou,
Que foi um rio, um ar, na tua vida.
E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.
Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.
Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar,
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar.
E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O traçar da velha capa.
Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.
Assim Mesmo é que é
Lá da aldeia onde eu sou
Não perdoo às raparigas
Se uma o olho me piscou
Meto-me logo em intrigas
Dou-lhe dois ou três beijinhos
Evai de bater o pé
Eu não quero mexericos
E assim mesmo é que é
Eu não quero mexericos
E assim mesmo é que é
(Refrão:)
Ai rapariga
Se fores à fonte
Vai pelo carreiro que chegas lá mais depressa
Ai tem cuidado
Com os rapazes
Loucos por ti vê lá se algum tropeça
No outro dia a rosinha
Que é baixinha e trigueira
Foi ao baile com o António
Andaram na brincadeira
E agora já namoram
É tão bom de ver ai é
Qualquer dia hão de casar
E assim mesmo é que é
Qualquer dia hão de casar
E assim mesmo é que é
(Refrão)
Esta vida são dois dias
Diz o povo e tem razão
E se é tão pouco o tempo
Vou gozá-lo até mais não
E se encontro a minha amada
Sorridente e cheio de fé
Vou levá-la ao altar
E assim mesmo é que é
Vou levá-la ao altar
E assim mesmo é que é
(Refrão)
Ai rapariga, rapariga, rapariga
Rapariga, rapariga, rapariga tem cuidado
Ai rapariga, rapariga, rapariga
E assim mesmo é que é
Marcha de Benfica nº2
Letra de Frederico de Brito, música de Raúl Ferrão
Benfica tem de seu
O que ninguém lhe deu
Se tu lá vais, verás
Que hás de gostar
É um vergel em flor
A que o pincl deu cor
E os rouxinóis ali
Sabem cantar
(Refrão:)
Toma lá
Um balão
Põe-o já
Bem juntinho ao coração
Vês que fica
Todo vaidoso
Na marcha de Benfica
Teu alecrim queimei
Que era p'ra mim já sei
Mas teu amor ficou
Feito em carvão
Resolvi só cantar
Lancei o pó ao ar
E onde caiu nasceu
Uma ilusão
(Refrão)
Teu cravo azul floriu
Todo o taful abriu
E um dia o sol queimou
Sem se importar
Tu és igual à flor
Do arraial do amor
Que um beijo só talvez
Faça queimar
Benfica, assim, não quer
Chegar ao fim sem ver
Seu nome audaz marcar
Como um valor
Ninguém supõe, talvez
Como se impõe de vez
Benfica foi e é
Sempre a melhor
(Refrão)
Cacilheiro
Letra: José Carlos Ary dos Santos, Música: Gil do Carmo
Lá vai no mar da palha o cacilheiro,
Comboio de Lisboa sobre a água:
Cacilhas e seixal, Montijo mais Barreiro.
Pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa.
Na ponte passam carros e turistas
Iguais a todos que há no mundo inteiro,
Mas, embora mais caras, a ponte não tem vistas
Como as dos peitoris do cacilheiro.
Leva namorados, marujos,
Soldados e trabalhadores,
E parte dum cais
Que cheira a jornais,
Morangos e flores.
Regressa contente,
Levou muita gente
E nunca se cansa.
Parece um barquinho
Lançado no Tejo
Por uma criança.
Num carreirinho aberto pela espuma,
Lá vai o cacilheiro, Tejo à solta,
E as ruas de Lisboa, sem ter pressa nenhuma,
Tiraram um bilhete de ida e volta.
Alfama, Madragoa, bairro alto,
Tu cá-tu lá num barco de brincar.
Metade de Lisboa à espera do asfalto,
E já meia saudade a navegar.
Leva namorados, marujos,
Soldados e trabalhadores,
E parte dum cais
Que cheira a jornais,
Morangos e flores.
Regressa contente,
Levou muita gente
E nunca se cansa.
Parece um barquinho
Lançado no Tejo
Por uma criança.
Se um dia o cacilheiro for embora,
Fica mais triste o coração da água,
E o povo de Lisboa dirá, como quem chora,
Pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa.
Cavalo à Solta [ouvir]
Música de Fernando Tordo, letra de Ary dos Santos
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Minha laranja amarga e doce minha espada
poema feito de dois gumes tudo ou nada
por ti renego, por ti aceito
este corcel que não sossego
à desfilada no meu peito
Por isso digo
canção castigo
amêndoa, travo, corpo, alma, amante, amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura
(x2)
Desfolhada [ouvir]
Música de Nuno Nazareth Fernandes, letra de Ary dos Santos
Corpo de linho
Lábios de mosto
Meu corpo lindo
Meu fogo posto
Eira de milho
Luar de Agosto
Quem faz um filho
Fá-lo por gosto
É milho rei
Milho vermelho
Cravo de carne
Bago de amor
Filho de um rei
Que sendo velho
Volta a nascer quando há calor
(Refrão:)
Minha palavra
Dita à luz do sol nascente
Meu madrigal de madrugada
Amor amor, amor crescente
Em cada espiga desfolhada
Minha raíz de pinho verde
Meu céu azul tocando a serra
Ó minha água e minha sede
Ao mar ao sul, da minha terra
É trigo loiro, é alem Tejo
O meu país neste momento
O sol o queima
O vento o beija
Seara louca em movimento
(Refrão)
Olhos de amêndoa
Cisterna escura
Onde se alpendra
A desventura
Moira escondida
Moira encantada
Lenda perdida
Lenda encontrada
Ó minha terra, minha aventura
Casca de noz desamparada
Ó minha terra
Minha lonjura
Por mim perdida, por mim achada
(Refrão)
Maio, Maduro Maio [ouvir]
Música e Letra: José Afonso
Maio maduro Maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru
E uma falua vinha lá de Istambul
Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru
E uma falua andava ao longe a varar
Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu’importa a fúria do mar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru
Que a voz não te esmoreça vamos lutar
Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu